A Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da Universidade do Minho (EEG) informa com orgulho que Filipa Joana Silva, aluna do Doutoramento em Ciências Empresariais, apresentou a sua tese de doutoramento intitulada “Contabilidade, Propaganda e Racionalidade na Governação Pombalina para a Expulsão e Supressão dos Jesuítas no século XVIII”, no dia 14 de maio de 2026.
Pelas palavras da autora:
"Este estudo, concretizado em três ensaios, analisa e discute a articulação entre contabilidade, propaganda e racionalidade durante a segunda metade do século XVIII, centrando-se no processo de expulsão da Companhia de Jesus de Portugal e sua supressão. Pretende compreender como o governo de D. José I, liderado pelo Marquês de Pombal, articulou práticas contabilísticas, narrativas anti-jesuíticas e mecanismos administrativos para deslegitimar os Jesuítas, reconfigurar a relação com a Santa Sé e afirmar a supremacia do Estado.
Adotou-se uma abordagem qualitativa e interpretativa, baseada em fontes de arquivo primárias, concretizada na análise dos registos contabilísticos constantes dos Livros de Receitas e Despesas do Tesoureiro-Mor e dos Livros Mestre, assim como das narrativas da propaganda antijesuítica vertidas na Relação Abreviada e nos Erros Ímpios e Sediciosos e na análise documental do segundo volume da Coleção dos Negócios de Roma.
Os resultados dos três ensaios demonstram que a expulsão da Companhia de Jesus de Portugal, e a sua subsequente supressão no século XVIII, foram conseguidas de forma consciente e coordenada através de três planos complementares: o económico; o político; e o administrativo. Em conjunto, este estudo mostra como a contabilidade, a propaganda e a racionalidade interna funcionaram como instrumentos da governação pombalina, assegurando coerência, legitimidade e controlo social.
O estudo adiciona à literatura a análise dos processos de governação do caso dos Jesuítas pelo Estado português, sob a perspetiva contabilística. Evidencia a contabilidade como um instrumento estratégico essencial para o controlo e a gestão de processos caracterizados por conflitos alicerçados em lutas de poder. Mostra também a relevância da contabilidade sob a forma narrativa, quer na gestão simbólica de perceções, quer como uma tecnologia de governação, cuja racionalidade realça um sistema de comunicação e de planeamento estratégico interno assente em informações detalhadas e elucidativas. Por seu lado, a propaganda, como forma de comunicação, revela-se eficaz para a gestão simbólica de companhas de deslegitimação de organizações rivais e para a implementação de reformas com potencial de gerar tensões sociais."
A tese de doutoramento foi orientada por Delfina Gomes e Fernanda Leão, Professoras do Departamento de Gestão da Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da Universidade do Minho.
A EEG felicita Filipa Joana Silva pela sua defesa e deseja-lhe os maiores sucessos profissionais e pessoais!