segunda-feira, 27/07/2026
A Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da Universidade do Minho (EEG) informa com orgulho que Cátia Cerqueira, aluna do Doutoramento em Economia, apresentou a sua tese de doutoramento intitulada “Technology Adoption, Labour Market Institutions, and Firm Capabilities”, no dia 27 de julho de 2026.
Pelas palavras da autora:
"Esta tese analisa como as capacidades das empresas e as instituições do mercado de trabalho moldam a adoção de tecnologias digitais e de automação, bem como os seus efeitos no desempenho das empresas e nos resultados dos trabalhadores. Compreender os determinantes e as consequências da adoção tecnológica é essencial para analisar a produtividade, a transformação estrutural e a distribuição de riqueza. A análise utiliza uma base de dados detalhada que liga empresas e trabalhadores em Portugal, combinando o inquérito à utilização de tecnologias de informação e comunicação nas empresas (IUTICE), registos de comércio internacional (CI), sistema de contas integradas das empresas (SCIE) e quadros de pessoal (QP).
O primeiro capítulo estuda o momento e as consequências da adoção de tecnologias de computação em nuvem e de big data, distinguindo entre pioneiros, seguidores e empresas que não adotam. Empresas com gestores e trabalhadores mais qualificados, bem como gestores com menor antiguidade, tendem a ser pioneiros na adoção destas tecnologias, especialmente no caso de big data. A adoção está associada a um aumento do desempenho das empresas. Para big data, o aumento do desempenho é ampliado por características do capital humano, em particular a educação, especialmente dos gestores, e os pioneiros mantêm vantagens persistentes em produtividade e valor acrescentado em relação aos seguidores. Os resultados sugerem que o papel do capital humano na mediação do impacto da tecnologia no desempenho, assim como as potenciais vantagens de timing, dependem da complexidade da tecnologia adotada.
O segundo capítulo analisa o impacto da reforma da escolaridade mínima obrigatória de 2009, que aumentou a idade mínima de saída do ensino de 15 para 18 anos (ou a conclusão do 12º ano de escolari-dade) e restringiu o acesso das empresas a trabalhadores menores de idade, avaliando se esta escassez de mão de obra induziu a automação no setor da manufatura. Através da construção de uma base de dados rica que liga características de empresas, trabalhadores e dados de comércio internacional, comparamos as alterações no período pós-reforma entre empresas do setor da manufatura com maior e menor exposição prévia ao trabalho de menores. As empresas mais expostas registaram uma redução superior do emprego de menores e ajustaram-se sobretudo ao nível da composição da força de trabalho, com aumentos no emprego em ocupações associadas à automação e tecnologias de informação e comunicação (TIC). Em contraste, não existe evidência robusta de aumento das importações de robôs. No entanto, o aumento da probabilidade de contratação de trabalhadores de TIC pode não ser específico da reforma, uma vez que exercícios de placebo também produzem estimativas positivas e estatisticamente significativas. No conjunto, os resultados apontam para um ajustamento das empresas mais expostas após a reforma, concentrado na composição da força de trabalho.
O terceiro capítulo investiga se os aumentos do salário mínimo influenciaram a adoção de robôs, considerando a alteração do preço do fator de produção trabalho, bem como os impactos da automação sobre empresas e trabalhadores. Empresas mais expostas a aumentos do salário mínimo apresentam maior probabilidade de adquirir robôs, embora com um desfasamento de três a cinco anos após o choque. A adoção está associada a uma expansão da escala das empresas, incluindo aumentos de produtividade e valor acrescentado, embora parcialmente determinados por efeitos de auto-seleção, o que motivou a estratégia empírica centrada nos impactos sobre trabalhadores dentro da mesma empresa. Trabalhadores em tarefas mais expostas à automação com contratos a termo têm maior probabilidade de sair da empresa, após a adoção de robôs, enquanto que trabalhadores sem termo são realocados internamente para ocupações menos expostas. Paralelamente, trabalhadores em ocupações mais expostas têm uma penalização salarial decorrente da adoção de robôs pela empresa empregadora.
De forma geral, a tese demonstra que a adoção tecnológica depende da interação entre as capacidades internas das empresas e as instituições do mercado de trabalho. A qualidade da gestão e as competências da força de trabalho determinam a capacidade de implementar tecnologias digitais complexas, enquanto que alterações institucionais na oferta e nos custos laborais moldam os incentivos à automação e os seus impactos sobre empresas e trabalhadores. Do ponto de vista da política pública, educação, regulação salarial e inovação devem ser consideradas de forma integrada, através de políticas complementares que promovam competências, apoiem a mobilidade laboral e assegurem que os ganhos de produtividade decorrentes da digitalização e da automação sejam amplamente partilhados."
A tese de doutoramento foi orientada por Miguel Portela, Professor do Departamento de Economia da Escola de Economia, Gestão e Ciência Política da Universidade do Minho.
A EEG felicita Cátia Cerqueira pela sua defesa e deseja-lhe os maiores sucessos profissionais e pessoais!
Gabinete de Comunicação
Escola de Economia, Gestão e Ciência Política
Universidade do Minho
Telefone: 253 604 541
Email: gci@eeg.uminho.pt