quinta-feira, 22/02/2024
Lisboa
Recebeu 250 mil euros por um projeto para conciliar privacidade e transparência nos serviços digitais
Uma
equipa da Escola de Engenharia da Universidade do Minho e do Instituto de Engenharia de Sistemas e
Computadores, Tecnologia e Ciência (INESC TEC) venceu o 2º lugar no “Prémio
IN3+, Um Milhão para a Inovação”, com um valor de 250 mil euros por um projeto que permitirá ter serviços digitais com mais
transparência e privacidade para os cidadãos. A cerimónia decorreu a 22 de fevereiro, na
sede da Imprensa Nacional Casa da Moeda (INCM), em Lisboa. A iniciativa, na sua
4ª edição, foi promovida pela INCM, em parceria com a Agência Nacional de
Inovação e com o Alto Patrocínio do Presidente da República.
O
projeto premiado designa-se PeT – Privacidade e Transparência e envolve os
professores e investigadores Ana Nunes Alonso, José Orlando Pereira, Nuno Faria
e Rui Oliveira. O prémio vai agora permitir desenvolver e testar esta ideia. A
transparência dos serviços está na ordem do dia. Segundo o último
Eurobarómetro, a corrupção é sentida como “comum” para 93% dos cidadãos
portugueses e 70% dos europeus. “Mais transparência contribui para combater a
corrupção e para a correta perceção da existência de corrupção, apontadas em
vários estudos”, refere Ana Alonso, professora do Departamento de Informática
da Escola de Engenharia da UMinho e investigadora do Laboratório de Software Confiável (HASLab) do INESC TEC, em Braga.
É
aqui que entra o PeT. Ter transparência sobre o desempenho de serviços e seus
prestadores enquanto se garante a privacidade dos utentes e os interesses
legítimos dos prestadores é um problema real e o grande desafio deste projeto,
adianta a investigadora. “Por um lado, é fundamental publicar os indicadores de
desempenho que permitam o controlo público das atividades dos prestadores de
serviços e, por outro lado, é preciso que seja possível a validação destes por
utentes e público em geral, especialmente no âmbito da sua experiência
particular”, acrescenta.
O PeT aplica avanços em criptografia e gestão de dados para garantir a validação
dos compromissos de desempenho dos prestadores de serviços, como o tempo máximo
de espera para aceder a um serviço, sem revelar os dados subjacentes dos
cidadãos envolvidos. Isso garante a privacidade dos cidadãos e a transparência
dos prestadores de serviço, como instituições, o que aumenta a confiança dos
mesmos nas instituições. No entanto, esta tecnologia não se limita ao contexto
de listas ou filas de espera, pois passa também a ser possível atestar afirmações
genéricas sobre o conteúdo de bases de dados de entidades terceiras sem o
revelar.
Esta
é a segunda distinção da Escola de Engenharia da UMinho e do INESC TEC no
Prémio IN3+. Em 2021, João Marco Silva, Vítor Fonte e António Sousa, autores do
projeto IDINA – Identidade Digital Inclusiva Não Autoritativa, foram os grandes
vencedores e arrecadaram 600 mil euros para criar uma plataforma de
identificação do cidadão eficaz e inclusiva, em países em desenvolvimento que
não possuem infraestruturas de registo civil para toda a população.
+Info: incm.pt/site/ayr-id-e-a-ideia-vencedora-da-4-a-edicao-do-premio-in3-da-incm, www.eng.uminho.pt, www.di.uminho.pt
bip.inesctec.pt/noticias/tecnologia-inesc-tec-para-garantir-transparencia-e-privacidade-nos-servicos-digitais-no-podio-da-4a-edicao-do-premio-in3